Moderadores: Casimira Flor, Nuno Silva

Trabalhar sentado não é assim tão inofensivo como pode parecer à primeira  vista. Estar sentado 24 horas força mais as nossas costas do que o mesmo tempo em  pé. Dia após dia, semana após semana o aparente conforto transmitido pela nossa  cadeira pode estar a contribuir a prazo para o aparecimento de dores nas costas, fadiga  e até mesmo lesões de grande gravidade. Uma postura incorrecta e mantida por longos  períodos, mobiliário não ergonómico, falta de exercício físico e o excesso de peso  podem contribuir para o aparecimento de desconforto e dor nas costas.  As posturas incorrectas, infelizmente tão frequentes nas nossas vidas, no nosso  dia a dia, sobrecarregam a coluna cervical e lombar, tornando-a mais vulnerável a  lesões, eventualmente graves. Para uma postura correcta dependem vários factores, destacando-se a forma  como nos sentamos habitualmente e o desenho da cadeira, em particular a altura e inclinação do assento e a configuração do encosto.  Hoje em dia a relação entre a actividade profissional que temos ao longo da vida  e a nossa saúde está suficientemente evidenciada, inclusive numa actividade de  escritório. Se efectuarmos movimentos repetitivos, com posturas incorrectas e sem  pausas e mudanças de posição, a fadiga acumula-se dando origem a uma progressiva  diminuição da nossa capacidade para o trabalho e aumentado o risco do desconforto e  da dor, contribuindo também para a taxa de absentismo por doença.  Perante este quadro importa então ás organizações ter em atenção e cuidar a  forma de sentar os seus colaboradores, em informar e formar estes, em promover  medidas adequadas, nomeadamente quanto à qualidade ergonómica do mobiliário e  equipamento de trabalho.

A legislação portuguesa, em consonância com o normativo da União Europeia,  estipula dimensões adequadas para mesas de trabalho com computadores, permitindo  uma disposição flexível do visor, do teclado e dos documentos, reflectindo um mínimo  de luminosidade e ainda que a cadeira de trabalho deverá possuir boa estabilidade ser  ajustável em altura e possuir um espaldar regulável em altura e inclinação.

Trabalhando-se durante muitas horas num computador deve colocar-se o  monitor de modo a que os olhos estejam dirigidos para a parte superior do visor,  mantendo a cabeça direita.

Contudo, mesmo utilizando posturas correctas no trabalho, não é bom manter  essas posições durante períodos grandes de tempo. A contracção muscular mantida por  longas horas conduz ao desconforto, fadiga e eventualmente à dor. Neste sentido é  importante efectuar pausas e mudanças de actividade ao longo de uma jornada de  trabalho.  Para além das medidas que forem tomadas em termos de adequação do  mobiliário e de organização de trabalho, convém adoptar um tipo de vida saudável, com  exercício físico, passeios a pé, controlo do peso e, se necessário, acompanhamento médico.

*Portaria n.º 989/93, de 6 de Outubro, prescrições mínimas de segurança e de saúde respeitantes ao trabalho com equipamentos dotados de visor

 LMELT - Lesões Músculo-Esqueléticas  Ligadas ao Trabalho:

São lesões ou doenças dos músculos, nervos, tendões, ligamentos, articulações, cartilagens  e/ou discos intervertebrais, cuja etiologia está intimamente associada  ao trabalho e  à forma como esse trabalho é realizado (exposição aos factores de risco).

São doenças “ligadas ao trabalho” por incluírem todas as lesões músculo-esqueléticas  induzidas e  agravadas pelo trabalho, assim como as decorrentes de acidentes de trabalho.

 As LMELT continuam a ser o grupo de Doenças Profissionais que mais prevalece na União Europeia, e atingem os trabalhadores de um grande conjunto de sectores profissionais e profissões. As LMELT são um crescente problema social e uma das mais relevantes causas de absentismo profissional.

Para além das modificações que acarretam no  estado de saúde dos trabalhadores, implicam  igualmente elevados custos, quer às empresas, quer  às famílias, quer à sociedade(Takala, 2010).