Moderadores: Casimira Flor, Nuno Silva

Estação Zootécnica Nacional
A organização dos serviços agrícolas de 24 de Dezembro de 1901 criou, em Lisboa, a Estação Zootécnica Nacional, para além dos Serviços Pecuários Externos, Serviços
Zootécnicos, Serviços dos Inspectores e Intendentes de Pecuária, Serviços de Sanidade Pecuária e Serviços Veterinários. Estes últimos abrangiam, como anexos da
Estação Zootécnica Nacional, o Laboratório Vacínico de Patologia Veterinária e o Hospital Veterinário.
A Estação Zootécnica Nacional (EZN) foi instalada na cerca da Real Casa Pia de Lisboa, contígua, a norte, ao Mosteiro do Jerónimos e prolongando-se, em ligeiro
acidente de terreno pela suave encosta do Restelo até ao Alto dos Moinhos. A superfície era sulcada por estradas macadamizadas, com grandes áreas cultivadas e terrenos arrendados à estação Chimico-agrícola, edificações que vinham servindo a Escola de Agricultura Prática da Real Casa Pia de Lisboa, cujas instalações e vocação foram muito prestáveis à EZN como matriz deste estabelecimento. Dando cumprimento à Lei nº 26, de 9 de Julho de 1913, a EZN deslocou-se para a Quinta da Fonte Boa, no Vale de Santarém, local onde, desde 1891, se encontrava a Coudelaria Nacional. Abrangia, não só os terrenos da Fonte-Boa, mas também o Paul d’Anana e o Mouchão de Esfola
Vacas que, entretanto, tinha sido arrendado à Companhia das Lezírias. Segundo o diploma que criou a EZN, o estabelecimento foi dotado de reprodutores masculinos e femininos das espécies bovina, ovina, caprina e suína das raças nacionais e exóticas. Quando da transferência passou a competir-lhe, também, produzir e criar reprodutores selectos da espécie cavalar, sela e tiro, leve e pesado. Em 1914, João Filipe, foi nomeado como primeiro director da Estação Zootécnica Nacional. Criada a EZN, transferida para a
Fonte Boa, definidas por lei algumas disposições funcionais, adquiridos e permutados terrenos em propriedades do Ribatejo, o estabelecimento beneficiou de diplomas que, pela via do organismo tutelar, decretaram sucessivamente, atribuições e competências.
Assim, através do DL nº 27 207, de 16 de Novembro de 1936 e seguintes, foram atribuídas à Estação Zootécnica Nacional competências para (i) realizar trabalhos de investigação e demonstração no campo da fisiologia e zootecnia; (ii) realizar estudos na pecuária nacional, particularmente sobre os métodos a adoptar na sua exploração e melhoramento; (iii)
produzir e manter reprodutores selectos das raças nacionais e estrangeiras.adequados ao melhoramento da pecuária nacional; (iv) efectuar ensaios de aclimatação e adaptação de raças exóticas das diversas espécies e o cruzamento delas com as raças nacionais; (v) prover de reprodutores os postos de reprodução e (vi) efectuar os trabalhos de investigação, de produção e divulgação necessários para a realização dos fins do estabelecimento.
A EZN incluía, igualmente, serviços técnicos desempenhados pelas Secções de Serviços zootécnicos, Serviços clínicos, Serviços laboratoriais e Serviços culturais.
As espécies equina e ovina mereceram especial atenção da Estação Zootécnica Nacional. Assim.em relação ao melhoramento equino, a EZN ocupou-se, inicialmente, do efectivo pertencente à Coudelaria Nacional mas, posteriormente, recebeu os garanhões do depósito Militar de Mafra.
O interesse pelo fomento ovino desenvolveu-se nas áreas do reconhecimento das populações ovinas, do estudo das lãs nacionais e do incremento dos efectivos e das produções ovinas. Embora com menor expressão, o Estabelecimento contribuiu com intervenções continuadas, noutras espécies pecuárias. Por força do disposto no Decreto-Lei
nº 41 380, de 20 de Novembro de 1957, a EZN alargou o espectro dassuas atribuições, realizando, dentro das prerrogativas do diploma que reorganizou a Direcção-Geral dos
Serviços Pecuários e definiu atribuições para os estabelecimentos zootécnicos, determinados programas de experimentação e investigação aplicados ao sector animal.
Em 1977, toda a investigação agrária do Ministério da Agricultura foi integrada no INIA, entretanto criado pelo Dec.-Lei nº 539/74, de 12 de Setembro, passando a EZN a
constituir um Serviço Operativo do Instituto, vocacionado para a Investigação e Desenvolvimento Experimental no âmbito da Produção Animal. Compreendia sete departamentos científicos e onze unidades de apoio, bem como serviços sociais dispondo de Infantário, Messe e Cantina.
No quadro das reestruturações subsequentes sofridas pelo INIA, a EZN constituiu sempre um serviço operativo daquele Instituto e dos institutos que lhe foram
sucedendo (INIAER, INIA, INIAP). Foi extinta com a criação do Instituto Nacional de Recursos Biológicos, I.P., sendo as actividades científicas, no domínio animal, desenvolvidas pelas Unidades de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico de Produção Animal e Recursos Genéticos, Reprodução e Melhoramento Animal e Centro de Actividades criado na
Quinta da Fonte Boa